Enquanto isso, lá fora.
por telepatia
O velho cientista assistia as fitas e pouco a pouco ia desvendando os planos daquele ser sem nome, Isaías, preso no cristal, produzindo só.
E os planos que o cientista conseguiu decifrar descreviam peças, articulações, cavidades e esferas que encaixadas tornavam-se um esqueleto.
Teve uma idéia, resolveu fazer um experimento e testar a sensibilidade do crânio ao exterior. Era um sistema isolado ou reagiria com emoção?
Imprimiu o desenho do esqueleto e levou até o crânio já pronto, de onde já se via um início de espinha dorsal brotando, Isaías em atividade.
O cientista o pôs de pé, apoiado em um suporte na mesa, e mostrou o desenho do esqueleto para ele. Esperava qualquer coisa, mesmo que nada.
O crânio permaneceu apenas cristal, nenhuma atividade elétrica nos olhos. Toda energia de Isaías estava na criação da coluna lá embaixo.
O cientista percebeu seu erro e corrigiu, levou o impresso até aquele tímido início de coluna onde muitas cores e movimentos se alternavam.
E alí, ambos cientista e Isaías conseguiram a conexão instantânea: imediatamente os olhos do crânio acenderam e Isaías falou de novo afinal.
Eis, enfim o crânio falou ou melhor palavras e sons isolados foram vistos e ouvidos impressos em movimento na concha de cristal de Isaías.
E o que ele disse, enquanto o cientista olhava entorno e certificava-se de que tudo estava sendo gravado foi apenas uma pergunta: me ajuda?
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Mistura interessante: eletricidade, cristais, anarquia e telepatia