A ajuda de um velho cientista
por telepatia
Perplexo com a súbita comunicação daquilo que até então era um fenômeno químico, estranho, inexplicável mas algo natural e agora isso!
O velho cientista imediatamente fez o movimento de pegar mais um papel para escrever algo e antes que pudesse fazer isso o crânio continuou,
Não precisa escrever, eu sei o que você está pensando. Foi isso que apareceu escrito e grunhido (esse é o termo) pela criatura alí presente.
Como assim, disse o cientista. E o crânio imprimiu e continuou tentando falar entre sons guturais e vogais estridentes que partiam de dentro
Algo estava vivo alí dentro, pensou o cientista e no momento seguinte a história da vida de Isaías Cardoso começou a ser impressa e narrada
E na superfície e no interior, as memórias vivas de Isaías, sua casa no interior, ele criança, seus irmãos, sua tia, sua rua, seus amigos,
E na sequência o RG, sua foto com 18 anos que ele nunca trocou, sua assinatura ingênua e orgulhosa, sua data de nascimento improvável.
Porque além de tudo, Isaías nasceu em um 29 de fevereiro, ano bissexto, e canhoto. E desde cedo se interessou por máquinas, instrumentos,
Era fascinado pelo funcionamento do motor, pelo magnetismo e o movimento constante, pulsante, mas aos poucos se interessou pela informática.
Pelas possibilidades de comunicação. Isso tudo o velho cientista assistiu, ainda sem palavras, no crânio de Isaías. Agora ele tinha um nome.
Depois de contar tudo o que conseguiu sobre si para o velho cientista, Isaías retornou aos planos do corpo e retornou à questão: me ajuda?
O velho cientista só pensou: claro, posso produzir as peças e deixar o acabamento para você fazer. Você está realmente lendo meu pensamento?
E Isaías começou a mostrar então cenas da infância do velho cientista, na Europa, mas naquela Europa pobre, na Croácia, fugindo das guerras.
Está bem, pode parar, eu acredito! Disse ele, entre o fascínio e o terror por aquele ser capaz de ler suas lembranças. Um ser impossível.
O fato é que o velho cientista ele mesmo, era também um telepata. Não tinha tentado projetar sua leitura sobre o cristal e acabou sendo alvo.
Apesar de telepata, ele não tinha pensado nos cristais como forma de captação e propagação de memórias, sua pesquisa era voltada ao CO ².
Mas é claro. Não era o cristal que era telepata, era ele próprio. Existia algo no cristal e o cientista, telepata, conseguia contato.
Agora tudo fazia sentido. Alguém sobreviveu, sabe-se lá como, na rede elétrica e veio descarregar neste cristal e eu consegui acessar isso.
O velho cientista tomou parte ativa na construção das partes de Isaías e em menos de seis meses eles tinham pronto todo um corpo cristalino.